sexta-feira, 6 de maio de 2016

Nefrolitíase

O cálculo renal, ou pedra nos rins, é uma massa dura formada por cristais que se separam da urina e se unem para formar pedras. Em condições normais, a urina contém substâncias que previnem a formação dos cristais. Entretanto, esses inibidores podem se tornar ineficientes causando a formação dos cálculos. A doença é duas vezes mais comum em homens e seu pico de incidência ocorre entre os 20 e 40 anos de idade.

Formação da Urina

A formação da urina começa nos rins, nos néfrons, que são as unidades funcionais dos rins, onde a urina é realmente formada. Cada rim possui aproximadamente um milhão de néfron, que são formados por túbulos contorcidos e microscópicos. No processo de formação de urina, a arteríola aferente é um ramo da artéria renal em uma região envolvida pela cápsula de Bowman. Enrola-se, formando o glomérulo. Quando o sangue passa pelo glomérulo, uma parte do plasma extravasa por meio da cápsula de Bowman, ocorrendo o processo de filtração.
Ao longo do trajeto pelos túbulos do néfron também ocorre a passagem de algumas substâncias dos capilares para os túbulos, que é o processo de secreção. Dessa maneira, pode-se dizer que na formação da urina fazem parte os processos de filtração, reabsorção e secreção de substâncias, e desses processos resta nos túbulos do néfron as excretas (principalmente ureia) e o excesso de sais minerais e de água. A urina segue para o túbulo coletor e deste sai dos rins por meio dos ureteres, sendo armazenada na bexiga urinária e eliminada para o meio exterior por meio da uretra.


Causa e Patogênese: 
A causa exata da formação dos cálculos nem sempre é conhecida. Embora certos alimentos possam promover a formação de cálculos em pessoas que são susceptíveis, os cientistas não acreditam que algum tipo de alimento cause cálculos em pessoas não susceptíveis. Uma pessoa que tenha algum familiar que já teve cálculo renal pode ser mais propensa a desenvolver cálculos. Infecções urinárias, distúrbios renais e metabólicos também estão relacionados com a formação de cálculos. A desidratação, muito importante nos lugares de clima quente, também é um importante fator de risco para a formação dos cálculos renais. Outras causas de cálculo renal são gota, excesso de ingestão de vitamina D, e obstrução do trato urinário. Certos diuréticos, antiácidos e outros medicamentos podem aumentar o risco de formação de cálculos pelo aumento de cálcio na urina.

Há quatro tipos principais de cálculos: 

Oxalato de cálcio e fosfato (70%) 
Fosfato – Magnésio – Amônio (Estruvita ou Triplo) (15-20%) 
Ácido úrico (5-10%) 
Cistina (1-2%) 

Fatores que Causam Cálculos: 
Concentração aumentada dos constituintes dos cálculos 
Alterações no pH urinário 
Volume urinário diminuído 
Presença de bactérias que influenciam a formação de cálculos 

Muitos cálculos ocorrem na ausência desses fatores, portanto foi postulado que a formação de cálculos deve-se pela deficiência em inibidores da formação de cristais na urina. 


Referências:


http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/artigos/19842/fisiologia-geral-formacao-da-urina#ixzz47p4u2jBf

Miguel Carlos Riella. Princípios de Nefrologia e distúrbios hidroeletrolíticos. EDITORA GUANABARA KOOGAN S.A.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A Pressão Arterial e a Função Renal

A regulação a longo prazo da pressão arterial é feita pelos rins. Este órgão tem mecanismos de auto-regulação que podem ser hormonais ou neurológicos para manter o fluxo de filtração constante, com isso qualquer modificação na pressão arterial é notada pelo rim através do aumento ou diminuição do volume sanguíneo. Essa regulação é por meio de um mecanismo hormonal, chamado sistema renina-angiotensina-aldosterona.
Quando a pressão diminui até valores inferiores a normalidade, o fluxo sanguíneo nos rins diminui, fazendo com que o rim secrete uma substância chamada renina que atua como uma enzima convertendo uma das proteínas plasmáticas, o substrato da renina, no hormônio angiotensina I. Esse hormônio tem efeito pouco intenso sobre a circulação e é rapidamente convertido em um segundo hormônio, a angiotensina II, por meio da enzima conversora (ECA) que é encontrada apenas nos vasos de menor calibre dos pulmões. A angiotensina II produz vasoconstrição nas arteríolas, fazendo a pressão aumentar até o seu valor normal.
Fonte: Google Disponível em: <https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhrV1lEbYnGHpvFkLLwGzMDjYrkAASI01lEDvffM3JEr35o3XcX1YSQtZqamXhyFZYM5pAjLHZCflqZGcgKcgwsP4IOjP1QYuxjnAcuJdmuSuHJYdpg_rLfx04YPXEVOJcVPZdr2XGJqCc/?imgmax=800>


Outro efeito da angiotensina II muito importante é estimular o córtex da adrenal a secretar aldosterona. O efeito da aldosterona está envolvido com grandes reabsorções de volume isosmótico, como se fosse um filtro. Por exemplo, reabsorção de sódio (que cria um gradiente osmótico) e água no túbulo contorcido distal. Quando a pressão arterial diminui a valores muito baixos, a falta de fluxo sanguíneo ideal pelo corpo faz com que os córtices supra-renais secretem a aldosterona.  Essa aldosterona exerce efeito no rim. Como consequência a água e o sal ficam retidos no sangue, aumentando o volume sanguíneo, normalizando a PA. De modo inverso, a PA aumentada inverte esse mecanismo, de modo que os volumes líquidos e, consequentemente a pressão arterial, diminuam.
Para entender mais deixamos a dica de um vídeo que explica a detecção da diferença de pressão e o desencadeamento do controle de pressão através do sistema renina-angiotensina-aldosterona.


Rafaella Cardoso Gonzalez, graduanda de medicina da Uninassau

Referências Bibliogáficas:
- GUYTON, A. C. e HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica  10ª.ed. Rio de Janeiro.  Guanabara Koogan, 2002.
- Universidade Federal Fluminense. Sistema Renal: Regulação da Volemia e Hipertensão Arterial. Disponível em: <http://www.uff.br/fisio6/PDF/sistema_renal/volemia_hipertensao.pdf> Acessado em: 02 de maio de 2016

terça-feira, 3 de maio de 2016

FLUXO URINÁRIO E HIDRONEFROSE

A hidronefrose é a dilatação do rim pela urina, causada pela pressão de retorno sobre o rim quando se obstrui o fluxo, ou seja dilatação da pelve e cálices renais causada por aumento da pressão hidrostática secundária a um processo obstrutivo ou funcional.



Normalmente, a urina sai dos rins a uma pressão extremamente baixa, se o fluxo da urina for obstruído, esta reflui para os tubos do rim e para a pélvis renal, dilatando o rim e exercendo pressão sobre os seus tecidos. Dessa maneira, a pressão causada por uma hidronefrose prolongada e grave provoca lesões de tal forma que se interrompe gradualmente o funcionamento desse órgão, dessa forma pode desenvolver o quadro de insuficiência renal aguda, a qual se apresenta como perda da função renal, de maneira súbita, provocando acúmulo de substâncias nitrogenadas (uréia e creatinina).

A hidronefrose pode ser provocada pelas seguintes causas: dilatação fisiológica (18% dos feto normais podem apresentar dilatação da pelve renal); obstrução Intrínseca (anormalidades urinárias); extrínseca (massas extra-renais); intraluminal (cálculos renais) e  iatrogênica (ligadura inadvertida de ureter).



 Os sintomas dependerão da quantidade de tempo que o paciente tiver a obstrução, pode apresentar sintomas leves como poliúria, ou sintomas mais graves como: dor no abdome ou no flanco, náuseas e vômitos, disúria, urgência para urinar, infecção no trato urinário (ITU) e febre, já que infecções podem se desenvolver devido ao acúmulo de urina.

Tal patologia pode ser tratada de acordo com a sua manifestação, por exemplo urina que se acumulou no rim acima da obstrução, deve ser drenada, se a obstrução for completa, a infecção for grave ou houver cálculos, pode-se introduzir temporariamente um cateter no interior do bacinete renal, para drenar a urina, já na hidronefrose crônica corrige-se por meio do tratamento da causa e da eliminação da obstrução urinária e se necessário tratamento cirúrgico.



Por Jéssica Cordeiro do Amaral, aluna de medicina UNINASSAU.

Referências:
http://www.uro.com.br/calculo1.gif

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Nefropatia Diabética

      A nefropatia diabética é a doença renal que ocorre nos pacientes diabéticos, ela resulta da longa exposição à glicemia elevada, associada ao mau controle da pressão arterial, dos níveis do colesterol, do hábito de fumar e também de fatores genéticos. Os pacientes hiperglicêmicos apresentam-se com grande volume urinário e aumento de glicose na urina. Esta situação faz com que o rim trabalhe mais e acarreta, como consequência, um aumento do tamanho renal. Também ocorrem lesões de esclerose do glomérulo que, com o tempo, tornam-se difusas e aumentam a perda de albumina (proteína) na urina.

     Os rins funcionam como filtros no corpo humano e tem a função de limpar o sangue eliminando, pela urina, as substâncias provenientes do metabolismo que não tem mais utilidade e, ao mesmo tempo, precisa manter outros elementos que não devem ser descartados, como as proteínas. Uma das proteínas que circulam no sangue é a albumina. Ela possui alto valor biológico e fornece todos os aminoácidos essenciais para facilitar a recuperação do organismo.
     Nefropatia é quando ocorre lesão no néfron que é a unidade funcional do rim. Cada néfron possui dois componentes principais: um glomérulo (capilares glomerulares), através do qual grandes quantidades de líquidos são filtradas do sangue, e um longo túbulo no qual o líquido filtrado é convertido em urina no seu trajeto até a pelve renal.

    O sangue entra nos rins através da artéria renal, passam pelos glomérulos, onde grandes quantidades de líquidos e solutos são filtradas, dando início à formação da urina. O líquido filtrado dos capilares glomerulares flui para o interior da cápsula de Bowman e, a seguir, para o túbulo proximal, situado no córtex renal. A partir do túbulo proximal, o líquido flui para a alça de Henle, que mergulha na medula renal. Nesses túbulos o filtrado é modificado pela reabsorção de água e solutos específicos de volta ao sangue ou pela secreção de outras substâncias dos capilares para os túbulos. Para cada substância existente no plasma, ocorre uma combinação particular de filtração, reabsorção e secreção.


     
     Todo paciente diabético deve realizar um teste, ao menos anual, para checar a ocorrência de perda de albumina na urina (microalbuminúria). O Diabetes é uma das maiores causas de doença renal com necessidade de diálise. O diagnóstico da doença não é complexo. O diabetes pode ser detectado por meio de testes simples que pesquisam a presença de açúcar na urina ou que avaliam a quantidade desta substância no sangue.

Juliana Baccaglini, estudante de medicina da UNINASSAU.

Referencias:
GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981. 08- GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª ed
http://www.scielo.br/pdf/abem/v47n3/16489.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302003000200002
http://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-nefropatia-diabetica/
http://sbn.org.br/publico/doencas-comuns/diabetes-mellitus/
https://www.abcdasaude.com.br/nefrologia/rim-e-diabete-melito

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

A função da respiração é essencial à vida e qualquer alteração nessa atividade gera desfunções que repercutem em todo o organismo. Ela pode ser definida como uma troca de gases entre as células do organismo e a atmosfera. Ela pode ser dividida em quatro etapas: ventilação pulmonar, que se refere a entrada e saída de ar entre a atmosfera e os alvéolos pulmonares; difusão de oxigênio e de dióxido de carbono entre os alvéolos e o sangue; transporte de oxigênio e de dióxido de carbono no sangue e nos líquidos corporais, para e das células; e regulação da ventilação e de outros aspectos da respiração. Existem inúmeras doenças que alteram essa função e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é uma delas. Mas compreender melhor esta disfunção é preciso entender um pouco sobre a mecânica respiratória. 
Fonte: Google Imagens Disponível em:< https://pilatespirenopolis.files.wordpress.com/2012/04/respiracao11.jpg>

A expansão e a retração dos pulmões são os processos que promovem a entrada e a saída de ar durante a ventilação pulmonar.  Essa é percebida através de dois mecanismos: os movimentos do diafragma, para cima e para baixo, que fazem variar o volume da caixa torácica e a elevação e o abaixamento das costelas  que aumenta ou diminui o diâmetro anteroposterior da caixa torácica. A movimentação da caixa torácica produz variações na pressão das vias respiratória, logo, na inspiração, a pressão dentro dos alvéolos diminui em relação à pressão atmosférica, isso faz o ar penetrar através das vias respiratórias. Já na expiração normal, a pressão dentro dos alvéolos se eleva fazendo o ar sair através das vias respiratórias.
Existem doenças que prejudicam esse mecanismo de ventilação, e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC é uma delas. Existem evidências de que ela acarreta prejuízos na mecânica pulmonar e na musculatura periférica, através da obstrução brônquica que acarreta um deslocamento do valor de pressão para as vias aéreas que não possuem cartilagens, favorecendo o aprisionamento de ar. Cronicamente, este processo fisiopatológico tende a levar à hiperinsuflação pulmonar, o que inicialmente reduzira a capacidade física para grandes e pequenos esforços.
Existem várias definições, mas alguns aspectos são relatados em quase todas as definições, logo, classicamente é apresentada como uma redução crônica e progressiva do fluxo aéreo secundaria a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões devido à inalação de partículas ou gases tóxicos. Essa inflamação produz alterações de intensidade variável nos brônquios (bronquite crônica), bronquíolos (bronquiolite obstrutiva) e/ou parênquima pulmonar (enfisema). Por acometer a função respiratória, a DPOC é acompanhada de manifestações sistêmicas que tem repercussão importante sobre a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes, por exemplo, a disfunção dos músculos esqueléticos, o que contribui para a intolerância ao exercício.
Fonte: Google Imagens Disponível em:< http://i.imgur.com/hplojaz.jpg>

                 Para ilustrar e compreender melhor sobre o assunto deixamos um vídeo explicando um pouco sobre essa doença que um dos principais problemas de saúde do mundo, relacionado a função respiratória.





Rafaella Cardoso Gonzalez, estudante de medicina da UNINASSAU.

Referencias Bibliográficas
- CAVALCANTE, A G M; BRUIN, P F C. O papel do estresse oxidativo na dpoc: conceitos atuais e perspectivas. J Bras Pneumol. 2009; 35(12): 1227 – 1237. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132009001200011> Acesso em: 04 de abril de 2016
-GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª ed. Rio de Janeiro, Elsevier Ed., 2006.

- TREVISAN, M E.; PORTO, A S.; PINHEIRO, T M. Influência do treinamento da musculatura respiratória e de membros inferiores no desempenho funcional de individuos com dpoc. Fisioter Pesq, São Paulo, v.17, n.3, p.209-13, jul/set.2010.